quarta-feira, 10 de junho de 2026

A morte no Pequeno Príncipe

“Não gritou. Tombou devagarinho como tomba uma árvore. Nem fez sequer barulho, por causa da areia.”

Quando li O Pequeno Príncipe na infância / adolescência, aquela cena não era morte. Era partida. Era retorno. Era a viagem de volta para sua rosa. A serpente não era ameaça. Era ponte.

Mas a gente cresce. E crescer pesa. Hoje, quando releio o Pequeno Príncipe, a pergunta me atravessa: Ele procurou a morte? Quando perguntou à serpente se o veneno era forte o suficiente… ele já tinha decidido? Ou será que não era desejo de morrer, mas necessidade de voltar?

Talvez o adulto veja suicídio onde a criança via transcendência. Talvez a infância ainda saiba algo que esquecemos: que certos retornos exigem deixar o corpo para trás.

O Pequeno Príncipe não gritou.

E o silêncio daquela queda continua ecoando dentro de nós. Porque, no fundo, a pergunta não é sobre ele. É sobre o que fazemos com nossas ausências.

 

 

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