A morte no
Pequeno Príncipe
“Não
gritou. Tombou devagarinho como tomba uma árvore. Nem fez sequer barulho, por
causa da areia.”
Quando li O
Pequeno Príncipe na infância / adolescência, aquela cena não era morte. Era
partida. Era retorno. Era a viagem de volta para sua rosa. A serpente não era
ameaça. Era ponte.
Mas a gente
cresce. E crescer pesa. Hoje, quando releio o Pequeno Príncipe, a pergunta me
atravessa: Ele procurou a morte? Quando perguntou à serpente se o veneno era
forte o suficiente… ele já tinha decidido? Ou será que não era desejo de morrer,
mas necessidade de voltar?
Talvez o
adulto veja suicídio onde a criança via transcendência. Talvez a infância ainda
saiba algo que esquecemos: que certos retornos exigem deixar o corpo para trás.
O Pequeno
Príncipe não gritou.
E o
silêncio daquela queda continua ecoando dentro de nós. Porque, no fundo, a
pergunta não é sobre ele. É sobre o que fazemos com nossas ausências.

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