Antoine
Jean-Baptiste Marie Roger de Saint-Exupéry
No dia
29 de junho de 1900, em Lyon, na França, nascia Antoine Jean-Baptiste Marie
Roger de Saint-Exupéry. Filho de uma família aristocrática, era descendente de
antiga linhagem francesa. Seu pai, Jean de Saint-Exupéry, trabalhava como
inspetor de seguros, e sua mãe, Marie Boyer de Fonscolombe (1875–1972), era uma
mulher culta e uma pintora de grande talento.
Antoine
perdeu o pai ainda muito pequeno e foi criado com muito amor pela mãe. Viveu
parte da infância entre Lyon e a grande propriedade familiar de
Saint-Maurice-de-Rémens, uma elegante casa de estilo clássico cercada por um
vasto parque arborizado. Ali desfrutou de uma infância feliz, ainda que um
tanto protegida — um verdadeiro pequeno príncipe.
Entre os
companheiros de brincadeiras, destacava-se pela imaginação fértil, pelo
espírito aventureiro e pela necessidade constante de explorar o desconhecido.
Estudou, juntamente com o irmão François, no colégio
Notre-Dame-de-Sainte-Croix, dirigido pelos padres jesuítas.
Um ponto
decisivo de sua vida ocorreu em 1921, quando ingressou no serviço militar e foi
enviado para Estrasburgo, onde iniciou a formação como piloto. Em 9 de julho
daquele ano realizou seu primeiro voo solo, a bordo de um Sopwith F-CTEE.
Obteve o brevê de piloto em 1922 e retornou a Paris, decidido a escrever. Foi,
porém, um período difícil. Trabalhou em diversas atividades, entre elas como
contador e vendedor de automóveis.
Em 1929,
Saint-Exupéry transferiu-se para a América do Sul, integrando as rotas do
correio aéreo que atravessavam os Andes. Foi o célebre período da aviação
postal, experiência que marcaria profundamente sua obra literária.
Após a
invasão da França durante a Segunda Guerra Mundial, voltou ao serviço militar.
Apesar dos problemas de saúde e da idade considerada avançada para missões de
combate, insistiu em voar e participou de diversas operações de reconhecimento.
Recebeu, entre outras honrarias, a Cruz de Guerra.
Foi
chamado de "herói romântico": um homem distante, quase irreal, seja
por sua vida aventureira, seja pela forma misteriosa de sua morte. Em 31 de
julho de 1944, aos quarenta e quatro anos, partiu para sua nona e última
missão, com o objetivo de sobrevoar a região de Grenoble e Annecy.
Nunca
regressou. Durante décadas, foi considerado desaparecido. Diversas hipóteses
foram levantadas para explicar o ocorrido. Uma das mais poéticas dizia que, ao
desviar-se da rota estabelecida para contemplar uma última vez os lugares de
sua infância, teria sofrido uma pane e caído no mar enquanto tentava escapar
dos aviões alemães. Hoje se sabe que os destroços de seu avião foram
encontrados no Mar Mediterrâneo, mas o mistério sobre os momentos finais do
escritor permanece.
Saint-Exupéry
foi um idealista, um piloto corajoso e um homem de paixões intensas, cuja vida
sentimental foi marcada por inquietações e desencontros. Contudo, o que
permaneceu extraordinário não foi apenas sua existência aventurosa nem o enigma
de sua morte, mas a literatura que produziu. Para ele, viver e escrever eram
realidades inseparáveis. Costumava afirmar que "é necessário viver para
poder escrever". De fato, grande parte de sua obra possui forte caráter
autobiográfico, transformando experiências reais em narrativas de profunda
dimensão humana e poética.
Talvez
esse desfecho misterioso tenha contribuído para transformar toda a sua vida em
romance.
Seu
livro mais belo é, sem dúvida, O Pequeno Príncipe, a delicada fábula dedicada
ao amigo Léon Werth. Não ao amigo adulto, mas ao menino que ele um dia fora.
Uma dedicatória retroativa que faz do livro uma celebração da infância que
continua a habitar cada idade da vida.
Bibliografia
O
Aviador (1926) — L'Aviateur;
Correio
do Sul (1929) — Courrier Sud;
Voo
Noturno (1931) — Vol de nuit;
Terra
dos Homens (1939) — Terre des hommes;
Piloto
de Guerra (1942) — Pilote de guerre;
Carta a
um Refém (1943) — Lettre à un otage;
O
Pequeno Príncipe (1943) — Le Petit Prince;
A
Cidadela (1948, publicação póstuma) — La Citadelle.

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