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terça-feira, 7 de abril de 2020

O Pequeno Príncipe visita São Paulo



Quando a gente tem uma paixão e coleciona, corremos atrás. “Todo mundo” sabe da minha paixão pelo Livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. 

Então corro atrás... Frequentes visitas às livrarias onde for que eu esteja é uma rotina minha. Visita a Sebos, feiras literárias etc... 

As redes sociais também são uma grande aliada, é nelas que peço ajuda aos amigos: Vai viajar? Trás um Pequeno Príncipe para mim... 

Outro forte aliado é o Google, diariamente pesquiso: “O Pequeno Príncipe”, e ele me atualiza sobre lançamentos e edições novas. 

Estas práticas quase sempre dão bons resultados. 

Recentemente, o Google colocou como resposta à minha pesquisa: “O Pequeno Príncipe visita São Paulo”. 

Corro atrás do link e lá está a Matéria: “Novidade! Passei o final do ano de 2019 e o início de 2020, desenhando! Os desenhos foram elaborados para o lançamento, pela Tocalivros.com, do audiolivro de "O Pequeno Príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry. Os desenhos ficaram tão bonitos que resolvi compor um livrinho com as ilustrações feitas. O livro já está na gráfica e em breve também estará aqui no site!”. 

A Autora do texto acima é a Christiane Couver de Murville, Escritora e Artista plástica com vários trabalhos publicados. 

Corro atrás... Encontro o seu contato e lhe escrevo na hora: Sou colecionador do livro O Pequeno Príncipe, li a respeito do seu último trabalho, O Pequeno Príncipe visita São Paulo, e gostaria de ter o livro físico na minha coleção. 

Pronto! Foi só isso, para ter em mãos este lindo exemplar onde a escritora e desenhista faz uma relação da obra de Saint-Exupéry e a cidade de São Paulo. 

O Pequeno Príncipe visita os pontos turísticos da cidade. E Lá vai ele: Museu de arte de São Paulo, Parque do Ibirapuera, Teatro Municipal, Pacaembu, Catedral da Sé, Palácio do Ipiranga, Alameda de bambus, Avenida Paulista, Casa das Rosas, Túnel 9 de Julho, Obelisco de São Paulo, Vale do Anhangabaú, Estação da Luz, Minhocão, Estação Lilás do Metro, Campo de Marte, Mercado Municipal, Praça da República, Edifício do COPAN. 

Em cada “postal” encontramos um pequeno príncipe parecido com a gente: loiro, moreno, ruivo, cabelos lisos, crespos, cadeirante, cego, criança, adulto. 

Também podemos “trombar” na nossa visita a São Paulo, com outros personagens do livro: o acendedor de lampião, a Raposa, o Astrônomo, o Vaidoso, o Beberrão e a Serpente. E têm mais, as ilustrações são da autora assim como as ilustrações do nosso Pequeno Príncipe é do Exupéry. 

Foi uma alegria passear por estes lugares acompanhados do Pequeno Príncipe já que em tempos de quarentenas, devemos ficar em casa.

terça-feira, 3 de abril de 2018

“O Pequeno Príncipe”, 75 anos de um clássico para crianças e adultos.





Em 6 de abril de 1943, há 75 anos atrás, Le petit Prince, de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), foi publicado na cidade de Nova York. Esta primeira edição viu a luz, ao mesmo tempo, em francês e inglês, traduzida por Katherine Woods, e desde então 150 milhões de cópias foram vendidas em mais de 300 idiomas e dialetos. Isso torna o livro mais traduzido na história depois da Bíblia.
No Brasil “O Pequeno Príncipe” chegou em 1952 com a tradução magnífica de Dom Marcos Barbosa, pela editora Agir que teve os direitos de publicação até 2015, quando o livro se tornou de domínio público.
É o livro mais traduzido da história depois da Bíblia. 150 milhões de cópias foram vendidas em mais de 300 idiomas e dialetos
São várias as leituras que podem ser feitas de O Pequeno Príncipe, mas em cada uma delas existe algo central que tornou o livro universal, compreensível e útil em culturas muito diferentes e em lugares muito distantes. Essa universalidade reside no fato de que o livro, sob a aparente simplicidade de uma história, fala de uma experiência que implica profunda reflexão sobre o sentido da vida. 
A cada dia, uma nova tradução, uma nova adaptação. O universo deste jovem de 75 anos já não é somente o asteroide B-612. Ele ensina em todas as línguas, em todos os dialetos, que o essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração.
A mim ele ensinou o valor da amizade. Por causa dele, “O livro”, hoje tenho amigos em vários cantos deste planeta terra.
Viva o Pequeno Príncipe! Viva Saint-Exupery.

SAINT-EXUPERY NAO FOI AUTOR DE UMA OBRA SÓ



   LANÇAMENTO DE “PILOTO DE GUERRA”, A0 LADO DE NOVAS EDIÇÕES
DO CLÁSSICO “O PEQUENO PRÍNCIPE", MOSTRA QUE
SAINT-EXUPERY

NÃO FOI AUTOR DE UMA OBRA SÓ

For Mario Bresighello

O sucesso de "0 Pequeno Príncipe” parece não ter fim, ainda mais agora que o livro caiu em domínio público e as editoras oportunamente lançam novas traduções para disputar espago nas listas de mais vendidos. As edições mais recentes —da Zahar, da Companhia das Letrinhas e da Autêntica (com tradução de Gabriel Perissé, resenhado no “Guia” de 30 de maio de 2015) — valorizam o texto com posfácios e apêndices que explicam a génese do mito. A da Companhia das Letrinhas tem um apêndice com fotos, redigido pela tradutora M6nica Cristina Corrêa, e as informações irão encantar quem já conhece o livro e informar o novato.
Tanta evidência pode, entretanto, condenar seu autor, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), ao papel de autor de uma obra só. Quando escreveu esse que veio a ser o livro de cabeceira de tanta gente, ele já era um piloto—escritor famoso. Como sua obra é toda marcada pela profunda relação com o cotidiano da aviação, é muito difícil dissociar o escritor de suas experiências nos céus.
De família aristocrática, católica e tradicionalista, ele sempre quis ser desenhista, mas em 1921 descobriu o avião. Pouco depois, se tornaria um dos pioneiros da aviação civil, como um dos responsáveis pela implantação do sistema de entrega de correspondência via aérea, com passagens inclusive pelo Brasil, onde ganhou o carinhoso apelido de “Zeperri”. Dizem, até, que por aqui deixou sementes de baobás hoje frondosos.
A profissão lhe propiciou experimentar múltiplas aventuras e riscos, aos quais se juntaram a vivência da liberdade e a busca da identidade, como fica claro nos livros que escreveu. Seu livro de estreia é “0 Aviador", publicado em 1926, mas Saint Exupéry ficou. Conhecido com: “Correio Sul” (1928) e, mais tarde, com “Terra dos Homens" (1939), um relato escrito durante o período de convalescença depois de sofrer um grave acidente aéreo.
A eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939, põe um ponto final em sua carreira civil. Alistou-se, então, na aeronáutica militar francesa e passou a exercer missões militares em que fotografava, de seu avião, as regiões invadidas pelos alemães. Após a queda e a subsequente ocupação da Franga pelo poderio militar nazista, ele parte para os Estados Unidos. O motivo “oficial” da viagem seria receber um prémio por “Terra dos Homens", que fora traduzido no pais, mas, de fato, ele queria aproveitar sua popularidade para tentar convencer os americanos a intervirem no conflito. Seu plano inicial era ficar duas semanas e acabou permanecendo quase dois anos.
Foi durante esse período que concebeu sua obra mais célebre e também “Piloto de Guerra”, que ora retorna numa nova tradução sob os cuidados de Monica Cristina Corréa, especialista na obra do autor. O livro, dedicado a narrar a experiência trágica da derrota francesa, é um relato vibrante dos voos de reconhecimento sobre a cidade de Arras, na fronteira da Franga com a Bélgica, em que se sacrificavam “tripulações como se jogassem copos d'égua no incêndio de uma floresta". É um livro-relato em que os fatos misturam-se com as lembranças da infância do narrador-piloto, pois, para ele, esse é o único caminho possível para aliviar o sofrimento.

A obra tem em comum com o “0 Pequeno Príncipe" o fato de ser um “livro de guerra". Em ambos, há o mesmo movimento em relação ao conflito. A diferença é que, no primeiro, o autor nos oferece um relato realista, enquanto o segundo é uma fábula que “ilumina com luz indireta". A trama desse livro ilustrado quase todo mundo já conhece: um aviador que tem de fazer um pouso forçado no deserto se encontra com um menino vindo do asteroide B-612.
E um planeta minúsculo com três vulcões em que germinam sementes de uma planta perigosa, os baobás.
Ele vive sozinho com uma rosa que tosse, germinada de uma semente trazida sabe-se lá de onde. Mas ela lhe dá tanto trabalho e gera tantas dúvidas, que ele se aproveita de uma migração de pássaros e parte para visitar outros asteroides, cada um habitado por um personagem adulto caracterizado por um tipo de mania. E o último deles, um geografo, quem lhe sugere visitar a Terra. Ele aterrissa, então, no Saara, onde encontra uma cobra e uma raposa.
Saint-Exupéry decidiu também ilustrar sua fabula. Pedia aos amigos para posarem para ele de dia, fazia os desenhos com lápis-aquarela e escrevia o texto a noite. Eles ficaram mais famosos do que o romance. O enorme sucesso de “0 Pequeno Príncipe" - extrapola o âmbito da literatura. Ao mesmo tempo, impede que o vejamos além dos “excertos que ganharam a redundância dos clichês".
O autor não pode ver o fenômeno em que seu livro se transformou, pois, desapareceu no mar Mediterrâneo durante uma missão de reconhecimento, provavelmente abatido por um caga alemão. Em 6 de abril de 1943, o livro foi lançado em Nova York em inglês e, numa tiragem menor, em francês. Só em 1946 foi publicado na França. A recepção critica, a época do lançamento, foi positiva nos Estados Unidos, mas nem de longe prenunciava a celebridade que resiste a passagem de tantas gerações. Dentre as primeiras reações, destaca-se a da escritora australiana Pamela Travers, autora de “Mary Poppins” (1934), que ainda hoje continua valendo: “Seria um livro para crianças? Não que isso importe, pois, crianças são como esponjas. Elas se embebem da matéria dos livros que leem, compreendendo-nos ou não".

26 de setembro de 2015 [Guia Folha] 7

segunda-feira, 26 de março de 2018

O "PEQUENO PRÍNCIPE", QUE PERMANECEU ESCONDIDO POR 50 ANOS.


O Universo do Pequeno Príncipe é extremamente inquietante. A cada imersão neste universo, vamos descobrindo maravilhas. A importância do livro mais traduzido no mundo, para cada um é impactante.
Recentemente descobri uma história incrível. Vamos a ela:
Recentemente, ou seja no final de 2016, foi editado em Praga (República Checa) A versão do Pequeno Príncipe de VĚRA JANDOURKOVÁ .
E é assim que ela  apresenta o seu "PEQUENO PRÍNCIPE", que PERMANECEU ESCONDIDO POR 50 ANOS.
"Eu estudei na Escola Secundária de Artes Aplicadas de Turnov,(Turnov é uma cidade checa localizada na região de Liberec, distrito de Semily) me especializei no tratamento de metais e pedras preciosas. Na época já gostava de desenhar. Na escola, eu ilustrei uma cópia de Eugene Onegin, lançado em uma versão de bolso. Após o bacharelato, parti para Kutná Hora,( é uma cidade situada na região boêmia central da Boêmia , que agora é parte da República Tcheca) onde trabalhei no museu como ourives. Foi então que alguém me emprestou o livro 'The Little Prince'. Estava um pouco triste, mas nem sei quem me emprestou ou o que aconteceu com este livro ... Bem, este livro me tocou profundamente. Cheguei a Kutná Hora e não conhecia ninguém, senti-me sozinha. Quando leio "O Pequeno Príncipe", senti a mesma solidão, a mesma tristeza que ele. Então eu decidi copiar para ter uma cópia para mim. Todas as noites, Pegava um Capitulo, tracava as linhas e comecei a copiar o texto e a ilustrar. "
 Věra Jandurková trabalhou no livro, que ela chamou de "Meu Pequeno Príncipe" por mais de dois anos. Para suas ilustrações de aquarela e sua escrita caligráfica, ela usou papel feito à mão. Mais tarde, a artista se mudou para Praga e fundou uma família lá. "O pequeno príncipe" foi então colocado no fundo de um baú pintado do qual saiu apenas depois de cinquenta longos anos ...
Um tesouro escondido
Durante todo o tempo, Věra Jandourková trabalhou em diferentes profissões, trabalhando como vendedora, na televisão ou no rádio. Ao lado de suas atividades profissionais, a artista nunca deixou sua verdadeira paixão - pintura. Ela colaborou com várias revistas infantis e preparou várias exposições de suas obras. Por suas ilustrações na "Cesta k Betlému" de Dagmar Lhotová, Věra Jandourková foi premiada com a Faixa de Ouro, premiada com o mais lindo livro do ano e suas imagens foram também publicado em um livro de conto de fadas na Noruega. Apesar de todos esses sucessos, ela nunca pensou em publicar um dia sua versão do trabalho emblemático de Saint-Exupéry:
"Eu já tinha esquecido um pouco. E então, tive a impressão de que era impossível publicar um manuscrito escrito em um papel feito à mão. Hoje, a técnica é muito mais desenvolvida e publicar tal livro é mais viável. "
Alguns meses atrás, no entanto, a história desse tesouro escondido teve uma direção inesperada:
"Foi uma coincidência, como acontece na vida ... Conheço o centro cultural de Kaštan, no distrito de Břevnov, em Praga. Há alguns meses, o centro organizou uma exposição de ilustrações infantis sobre o tema de Carlos IV. Como tenho uma namorada que trabalha lá como professora, fui lá e sentei-me na mesa dela. Nós bebemos vinho e havia outra senhora sentada ao meu lado. Ela começou a falar sobre o "Pequeno Príncipe" e eu disse a ela que uma vez eu copiei e ilçustrei. Ela estava muito entusiasmada e queria vê-lo imediatamente. Esta senhora era Madame Vopěnková. "
Para preservar a alma do original: uma tarefa difícil
O marido de Anna Vopěnková, Martin Vopěnka, escritor, jornalista e explorador, também é o fundador da Práh Prague. Quando viu o manuscrito, soube imediatamente que tinha "uma obra-prima nas mãos":
"Quando descobri este livro, fiquei bobo. Fiquei atordoado pelo fato de que ainda há alguém que esconde seu trabalho aos olhos do mundo, especialmente hoje, quando as pessoas se esforçam para apresentar suas criações a todo custo, mesmo que sejam imperfeitas . Em suma, em um momento em que publicamos qualquer estupidez. Esta história me agradou. Quanto às ilustrações, eles também nos surpreenderam desde a primeira vista. Eles têm um charme involuntário porque o autor, quando os criou, tinha dezessete ou dezoito anos de idade. Embora essas ilustrações sejam bastante avançadas, a idade jovem de seu criador lhes confere uma espontaneidade e autenticidade extraordinárias. "
Olhando o pequeno principe com seus cabelos encaracolados, sua camisa verde, suas calças vermelhas e um grande nó ao redor do pescoço, o corpo alongado da raposa esperando por uma árvore, a cobra boa observando silenciosamente sua presa representada por um elefante gigante, a rosa amarela plantada no asteróide B 612 e outras imagens de cores vivas, a decisão de publicar "O Pequeno Príncipe" de Věra Jandourková não demorou muito. Martin Vopěnka ainda não havia resolvido uma questão muito importante, como publicar esse trabalho, preservando sua alma?
"Eu sabia que, se eu a publicasse, seria nesta forma de fac-símile do manuscrito. Cada página deste manuscrito é digitalizada com grande detalhe, é limpa com a ajuda do computador para permanecer legível ... Em suma, reproduzir a forma original do livro foi um trabalho extremamente difícil para o designer gráfico. Mas, pessoalmente, acho que ler caligrafia, lindas caligrafias, nos remete para a origem da leitura. Para mim, é sempre muito gratificante ler uma caligrafia. "
A edição especial de "The Little Prince" foi lançada em livrarias apenas alguns meses depois, em dezembro 2016. Quando perguntado como se sentiu quando recebeu uma cópia de seu livro, Věra Jandourková responde com seu modesto natural:
"É uma recompensa por tudo o que fiz na minha vida. Estamos sempre felizes quando o nosso trabalho é apreciado e não entra no esquecimento, não fica seguro e tem a oportunidade de ser descoberto pelo público. "
Além disso, embora tenha estado com livros para apenas dois meses, o livro é um sucesso com os leitores. Martin Vopěnka tenta uma explicação:
O pequeno príncipe de Antoine de Saint-Exupéry nasceu há mais de 70 anos. E graças a Věra Jandourková, essa criança que ri, que tem cabelo dourado e que não responde quando questionada, pode novamente procurar amigos, desta vez não no deserto, mas neste pequeno país que é a República Tcheca.
Vejam o Livro:







quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O Pequeno Professor





POR MELINA POCKRANDT* 

Lançada em 1943, a história de 0 Pequeno Príncipe tem atravessado gerações, encantando leitores de todas as idades. E um livro para ler, reler e sempre perceber novos detalhes. Em seus capítulos, a obra aborda valores universais que são essenciais para o bom convívio com outras pessoas, uma boa relação com o planeta em que vivemos e o caminho na busca pela felicidade. 

Para Renata Sturm, gerente editorial da HarperCollins Brasil, a mensagem viaja por várias culturas, gerações e idades. “Saint-Exupéry criou urna obra genial que mistura inspiração e literatura infantil. Uma obra profunda e sensível, que apreciamos Como criança, mas só a maturidade é capaz de trazer um entendimento completo a respeito” comenta. A editora publicou uma edição comemorativa, com tradução de Ferreira Gullar e muitos conteúdos extras (0 Pequeno Príncipe - Edição Comemorativa, HarperCollins) e também se dedicou a deixar a história mais Clara para as Crianças, O livro O Pequeno Príncipe para crianças pequenas (HarperCollius) chega às lojas em novembro e é destinado para atingir o público não-alfabetizado por meio da leitura dos cuidadores. 

Conta-se que o autor, o piloto francês Antoine de Saint-Exupéry, escreveu a obra nos Estados Unidos. Ele mudou para o pais em uma espécie de exílio voluntário, depois de se encontrar profundamente decepcionado com as derrotas da França na Segunda Guerra Mundial. Passou a servir a força aérea norte-americana, fazendo, voos de reconhecimento para os Aliados 


Ilustrador apaixonado, desenhava em qualquer pedaço de papel a que tivesse acesso. Muitos desses desenhos representavam um principezinho reconhecido pelos seus cabelos loiros e rebeldes — a quem Saint-Exupéry chamava de “o garoto que mora em meu coração”. Em 1940, editores de Nova Iorque questionaram: por que não escrever um livro com este personagem? 


Assim, O Pequeno Príncipe foi concebido, como um livro infantojuveni1 que acabou atingindo todas as faixas etárias. “Ele caiu nas graças de todo tipo de público por ter uma mensagem clara, bonita, universal, simples de ser entendida. Foi escrito para ser lido por crianças, mas acabou ganhando a simpatia e o amor de pessoas de todas as nacionalidades e de todas as idades", comenta Luiz Fernando Emediato, diretor da Geração Editorial. 

Para Gabriel Perissé, tradutor do livro publicado pela Autêntica (O Pequeno Príncipe, Autentica,) a obra ultrapassa o limite do tempo e está sempre atualizada. “Mais do que lições, O Pequeno Príncipe oferece una experiência de encontro, Entre o menino e o aviador, a relação de amor entre a rosa e o menino, entre o menino e a raposa, as figuras arquetípicas com as quais o viajante vai se encontrando. E é nesses encontros que o leitor se encontra. No meu caso, reler c traduzir este livro nessa altura da vida foi ver confirmada a ideia de que ninguém chega a ser alguém no meio da solidão. O reino que o Pequeno Príncipe quer fundar é o reino da amizade e da sensibilidade", comenta. 

Frei Betto, que traduziu a obra publicada pela Geração Editorial, aponta que, como um clássico, o livro tem algo pertinente a dizer sempre e deve ser revisitado sempre que possível. Entre as lições que mais marcaram sua vida, ele aponta: “as críticas à visão equivocada que muitos adultos têm das crianças, como se fossem imbecis". 

Além (de todas as lições que os leitores por geração têm extraído da história, a editora de livros infanto-juvenis da Autêntica, Sonia Junqueira, cita outra razão para ser considerado um Clássico: “O livro tem alta qualidade literária. Trata-se de uma obra emblemática, um ícone." 

Para estudiosos do autor, O Pequeno Príncipe não pode ser visto isoladamente. Ele faz parte de um momento que o escritor estava vivendo e se relaciona diretamente com outra publicação: Piloto de guerra: de 1942, O aviador solitário que encontra o principezinho no deserto é o mesmo que perdeu seus amigos em combate e está decepcionado pela derrota pessoal e coletiva retratado na outra obra. O Pequeno Príncipe é uma reflexão sobre a vida após a tragédia e traz muitos elementos autobiográficos. 

A primeira edição do livro saiu em 194-3, sendo que o autor recebeu suas cópias alguns dias antes de embarcar para a África do Sul, com tropas norte-americanas, para lutar pela Franga ocupada pelo exército alemão, mas jamais retornou aos Estados Unidos. 

Traduzida para mais de 250 idiomas, o livro ia vendeu mais de 130 milhões de Cópias em todo mundo. Ganhou diferentes edições e também adaptações ao cinema. O primeiro filme, de 1975, foi dirigido por Stanley Donen em uma produção conjunta entre EUA e Reino Unido. Ficou conhecido pela interpreta de Gene Wilder, como a raposa. 

O filme mais recente, a animação O Pequeno Príncipe, foi lançado em 2015. Nele a história original se mistura a vida de uma garota que é controlada pela mãe obsessiva. Em meio a estudos intermináveis, ela acaba conhecendo o seu vizinho, um senhor que procura de qualquer maneira encontrar um principezinho que vive no asteroide com sua rosa. 





SOBRE O AUTOR 

Antoine de Sant-Exupéry nasceu em Lyon, na Franca, em 29 de julho de 1900. Terceiro de cinco irmãos, perdeu seu pai aos 4 anos e for incentivado pela mãe a escrever Apaixonou-se Jovem pela aviação, na pré-adolescência, e buscou se tornar piloto - profissão muito difícil e ainda em seu início na época. Foi só aos 21 anos que e1e realizou seu sonho. Apaixonado por literatura e usando da sua experiência nos ares como matéria-prima para suas criações, Saint-Exupéry recebeu o apelido de “Poeta da aviação." Seus livros, como O aviador (1926) e Voo noturno (1931), são recheados de elementos autobiográficos e que apresentam questões pertinentes à dureza e à solidão da carreira de piloto nas décadas de 1920 e 1930. 

Mudou-se para os Estados Unidos durante a primeira fase da Segunda Guerra Mundia1, onde atuou como piloto da Forca Aérea, fazendo voos de reconhecimento para os Aliados. O autor morreu em 31de ju1ho de1944 em uma missão secreta na África. Os restos do avião foram achados somente depois do ano 2000 por um pescador. 



OS PERSONAGENS 

O Pequeno Príncipe: é o personagem central da história. Uma criança que não consegue entender por que os adultos são tão confusos. Ele mora em um asteroide e viaja pelo universo conhecendo diferentes personagens 

O piloto: é o narrador dessa história. Sobrevivente de um acidente no deserto, ouve as histórias do principezinho e reflete sobre sua própria vida. 

A raposa: ensina sobre a amizade, amor e a responsabilidade que as conquistas requerem de cada um de nós. 

A rosa: aquela que cativa o coração do principezinho e o faz refletir sobre o amor. Assim como todo ser humano. Tem características boas e más. 

A serpente: o primeiro personagem que o garoto encontra na terra, fa1a com franqueza e simboliza a morte. 

O rei: acha que domina todo o universo, mas na verdade só dá ordens a coisas que aconteciam mesmo que ele não mandasse. 

O bêbado: bebe porque está triste e fica triste porque bebe em um ciclo que desperta compaixão do principezinho. 

O homem de negócios: está tão envolvido em seus cálcu1os e no desejo de ficar rico que não consegue aproveitar a vida e quase não percebe a presença do garoto. 

O acendedor de lampiões: determinado e responsável em sua extenuante tarefa de acender e apagar o lampião a cada minuto em seu pequeno planeta. 

O geógrafo: um detentor do conhecimento de multos planetas - exceto de seu próprio. E1e que recomenda a visita do garoto à Terra 

O astrônomo: descobriu o asteroide em que o principezinho mora, mas ninguém ouviu sobre sua descoberta quando vestia as roupas típicas do seu pais. Precisou se adequar aos padrões ocidentais para que fosse valorizado. 

0 vaidoso: mora sozinho em seu planeta, mas precisa ser elogiado constantemente, por isso, pede que o Pequeno Príncipe diga que ele é o homem mais inteligente do planeta - mesmo que seja o único.

* Texto originalmente publicado em Ler&cia, Edição 77 Livraria Curitiba.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018




Incentivo à leitura

No país onde existem mais farmácias do que livrarias, qualquer iniciativa que estimule a leitura é bem vinda. Ás vezes deparamos com campanhas de incentivo à leitura, quase sempre pontuais e feitas por órgãos não governamentais ou em parcerias públicas ou privadas.

A iniciativa com mais destaque “hoje” é a da Fundação Itaú Social que faz campanha de incentivo à leitura para crianças, anualmente, com distribuição de livros. 

Gosto mais dos projetos de iniciativa popular, como por exemplo: “Esqueça um livro e espalhe conhecimento”, feita por voluntários de toda parte do Brasil que “esquecem” livros em lugares como: padarias, restaurantes, bancos dos parques e praças, pontos de ônibus, para-brisa dos carros, onde for melhor. Quem encontra, leva para casa e depois “esquece” também. E o conhecimento se espalha...

Bom! O que isso tem a ver com O Pequeno Príncipe?

Navegando pela internet, à procura de edições novas do O Pequeno Príncipe, encontrei um programa de incentivo à leitura interessante. 

Trata-se do “Pegaí – Leitura Grátis” uma iniciativa não governamental, criado em julho de 2013 na cidade de Ponta Grossa, Paraná, mantido por apaixonados por leitura e que acreditam que livros não podem ficar guardados nas estantes, privados de leitores.

Idealizado pelo professor universitário Idomar Augusto Cerutti, o objetivo da iniciativa é incentivar o hábito da leitura. Para isso, a proposta é receber doação de livros e colocá-los à disposição de novos leitores em locais públicos.

É só encontrar uma estante permanente, espalhadas pela cidade, pegar o título do seu gosto, levar para casa, ler e devolver nos pontos de coleta ao terminarem a leitura prazerosa. 

O que diferencia este projeto de outros que me encantou:

Eles editaram O Pequeno Príncipe por conta própria, uma edição extremamente cuidadosa, feita por pessoas capacitadas, de altíssimo nível cultural. A tradução magnífica feita pela professora Andréa Müller e sua aluna Janiffer Desselman, supera de longe as demais traduções que tenho lido.

E o trabalho não para por aí: os livros foram finalizados pelos restauradores do Hospital de Livros que funciona na Penitenciária Estadual de Ponta Grossa. Eles receberam as capas e os miolos e finalizaram os livros.

A ação faz parte do projeto de extensão do Hospital de Livros do Instituto Pegaí da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). 

Pela participação no workshop, os apenados receberam certificação da UEPG, o que também possibilita a diminuição de suas penas. 

O Pequeno Príncipe, que amo, mais uma vez, ultrapassa o limite da literatura e faz gerar amor.

Observação: sobre a finalização dos livros do Pequeno Príncipe no hospital de livros, nem todos os livros foram finalizados.
A tiragem foi de 5000 exemplares, A gráfica finalizou 4900
e 100 foram finalizados no Hospital de Livros.
O objetivo dessa ação foi inserir os restauradores nos processo de publicação, numa pequena parcela.
Tem 100 livros aqui em Ponta Grossa rodando, que tem uma etiqueta interna escrito: livro finalizado e acabado no Hospital de livros e tem o nome do detento que fez o trabalho.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018



Era o Pequeno Príncipe Vicentino*?


Pelo pouco que sei da biografia de Saint-Exupéry, ele era cristão. Sim. Foi batizado, fez a primeira comunhão e estudou com os irmãos maristas e com os padres jesuítas. Em carta à sua mãe, ele escreveu: "Acabo de ler um pouco da Bíblia. Os mandamentos que tomam bem umas 25 páginas são obras primas de conduta e bom senso. Por toda parte as leis da moral brilham em sua utilidade e beleza. Já leu os Provérbios de Salomão? E o Cântico dos Cânticos? Que beleza! Há de tudo neste livro, é comum encontrar ali um pensamento muito mais profundo e mais verdadeiro do que o dos autores que usam esse gênero por requinte. Já leu o Eclesiastes?" 

Uma segunda carta, dirigida a sua amada Consuelo, ele diz como ela deve rezar à noite: 

“Senhor, não vale a pena fatigar-vos demais...

Conservai-me apenas como sou. Pareço vaidosa nas pequenas coisas, mas nas grandes sou humilde. Pareço egoísta nas pequenas coisas, mas, nas grandes sou capaz de tudo dar, mesmo minha vida, pareço muitas vezes impura nas pequenas coisas, mas só me sinto feliz na pureza.

Senhor, conservai-me sempre igualzinha àquela que meu marido vê em mim.

Senhor, senhor, poupai a vida de meu marido, porque ele me ama verdadeiramente e que, sem ele eu me sentiria sozinha e órfã, mas fazei também senhor que de nós dois seja ele o primeiro a morrer, porque apesar de seu aspecto sólido e robusto, aflige-se muito quando não me ouve fazer barulho em casa, ainda que de vez em quando deva quebrar alguma coisa.

Ajudai-me a ser fiel e não me dar com aqueles a quem ele despreza ou que o detestam, isso bastaria para torna-lo infeliz, porque em mim ele fez a sua vida.

Protegei, senhor, nossa casa

Vossa Consuelo

Amém!”

Como todo ser pensante, Exupéry teve crise de fé. A época do eclipse da fé de Exupéry ocorreu no período compreendido entre a primeira e a segunda guerra mundial do século passado.

Até à época do seu acidente, Exupéry procurava um Deus que já havia encontrado na sua infância.

Acredito que a inspiração para escrever O Pequeno Príncipe, veio desta procura de reencontrar o Deus-menino, encarnado em Jesus Cristo, enviado pelo Pai como redentor do mundo.

Pesquisando bem, encontraremos em toda narrativa, ensinamentos que encontramos na Bíblia. 

Naquela mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no reino dos céus?

E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles,

E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.

Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus.


Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.


O sétimo planeta visitado pelo pequeno príncipe, foi, a terra. Número sete é muito forte na tradição judaica cristã, simbolizando algo que está completando ou completo. A água simboliza a vida, e a água do poço é a mesma que Jesus oferece à mulher samaritana. A serpente simboliza Satanás, ao mordê-lo, significa a morte, lembra-nos Jesus: deu Sua vida para que o homem pudesse ser salvo. “Eu parecerei morrer, é assim, não venha ver." pode ser visto como uma parábola. Jesus dizendo aos seus discípulos sobre sua morte iminente e ressurreição. “Ao amanhecer, eu não conseguia encontrar o seu corpo" pode ser visto como uma lembrança do Jesus ressuscitado, os discípulos também não encontraram o seu corpo. Nas páginas do livro, a imagem de uma estrela no céu, acompanhado do texto "Foi aqui que o Pequeno Príncipe desceu à terra ..."nos lembra a Estrela de Belém no nascimento de Jesus. “E então, por favor, não me deixem tão triste, escreva-me depressa dizendo que ele voltou." Pode ser visto como à espera de Jesus voltar.

Por que disse tudo isso? Porque o pequeno príncipe seria vicentino?

Que ele era cristão eu não tenho dúvidas. Vicentino?

É sabido, que o livro já foi traduzido para várias línguas e dialetos, o objetivo das traduções para os dialetos, tem muita haver, com o objetivo de não deixar aquele dialeto morrer. É uma forma de ensiná-lo, usando um clássico da literatura.

Para mim é uma forma de “vicentinar”... ir aonde o pobre está. 

Recentemente comprarei um exemplar do Pequeno Príncipe em BARESE, dialeto falado em uma região da Itália. O autor desta tradução, Onofrio Caradonna, doou todo o seu trabalho de tradução e edição desta maravilha, para a missão de Xai Xai em Moçambique e até agora, conseguiu 3000 euros, com a venda do livro. Com este dinheiro, eles poderão apoiar quatro pessoas na universidade por um ano, ou pagar o salário de dois professores na escola. 

Isso aí não é ser vicentino?

E se analisarmos bem, vamos encontrar outras ações vicentinas do meu querido Pequeno Príncipe.

*Vicentino: Membro da Sociedade de São Vicente de Paulo.



sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Oração que Exupéry escreveu para Consuelo, sua esposa muito amada



“Oração que Consuelo deve rezar todas as noites”

Senhor, não vale a pena fatigar-vos demais...

Conservai-me apenas como sou. Pareço vaidosa nas pequenas coisas, mas nas grandes sou humilde. Pareço egoísta nas pequenas coisas, mas, nas grandes sou capaz de tudo dar, mesmo minha vida, pareço muitas vezes impura nas pequenas coisas, mas só me sinto feliz na pureza.

Senhor, conservai-me sempre igualzinha àquela que meu marido vê em mim.

Senhor, senhor, poupai a vida de meu marido, porque ele me ama verdadeiramente e que, sem ele eu me sentiria por demais sozinha e órfã, mas fazei também senhor que de nós dois seja ele o primeiro a morrer, porque apesar de seu aspecto sólido e robusto, aflige-se muito quando não me ouve fazer barulho em casa, ainda que de vez em quando deva quebrar alguma coisa.

Ajudai-me a ser fiel e não me dar com aqueles a quem ele despreza ou que o detestam, isso bastaria para torna-lo infeliz, porque em mim ele fez a sua vida.

Protegei, senhor, nossa casa

Vossa Consuelo

Amém!



Antoine de Saint Exupéry

Uma preciosidade, que uma amiga encontrou guardada na sétima edição do Pequeno Príncipe de 1960. Tenho que dividir com vocês. José Marcos Ramos.



Obrigado Vicentina Massara por dividir comigo esta preciosidade.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Minha Coleção do Pequeno Príncipe



A minha primeira leitura do Pequeno Príncipe, foi quando eu era adolescente e estudava na Aliança francesa da minha cidade. Foi o primeiro encantamento.

Em seguida li a tradução para o Português de Dom Marcos Barbosa. A poesia de Dom Marcos, me apaixonou.

O Livro nunca saiu da minha memória. Sempre era citado por intelectuais ou não. Gente gostava, gente não gostava. Gente achava muito infantil ou muito complexo. Era o livro das misses, sempre citado como o livro preferido das candidatas.

Depois saiu uma adaptação para LP com trilha sonora de Antônio Calos Jobim e as vozes de vários atores: A voz do Pequeno Príncipe ficou a cargo de Glória Cometh, Oswaldo Loureiro Filho (o Acendedor de Lampiões), Margarida Rey (a Serpente), Benedito Corsi e Aury Cahet (a Rosa). Paulo Autram (o Piloto). Adaptação Fiel à tradução brasileira de Dom Marcos Barbosa.

Na minha primeira viagem ao exterior, sem saber o que trazer de recordação para mim, comprei um exemplar em espanhol, afinal estava na Argentina. Isso, trazer um exemplar do Pequeno Príncipe, virou mania. Em todas as viagens que fazia fora do Brasil procurava trazer o livro naquele idioma.

Com o tempo fui criando uma coleção: Francês, Português, Espanhol, Italiano, Inglês, Alemão e outras línguas de países que visitava. Nada sério, simples lembranças de viagens.

Aos poucos fui descobrindo que o livro também era traduzido para os dialetos das línguas oficiais. E eram tantos, e como eu nunca iria viajar para todos os países, comecei a pedir os amigos, para que trouxessem o livro, para mim, das suas viagens.

E aí a coleção começou a tomar forma: Russo, Grego, Chinês, Japonês, Árabe, Tailandês, e vários dialetos e línguas mortas. Latim, Sânscrito...

Recentemente descobri que não estou só neste universo, no mundo, há várias pessoas que como eu, colecionam o livro nas suas várias traduções e adaptações. O meu ídolo, Jean-Marc Probst, tem 4515 exemplares do Pequeno Príncipe, que foram editados no mundo inteiro.

Com o advento do “domínio público” em 2015, uma enxurrada de traduções e adaptações ocorreram no Brasil, de algumas eu gostei, outras nem tanto.

Entre as adaptações, o Pequeno Príncipe, virou Cordel.

A literatura de cordel é escrita em forma rimada. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, além de fazerem as leituras ou declamações muito empolgadas e animadas. Já temos quatro adaptações do Pequeno príncipe para o Cordel: O Pequeno Príncipe em Cordel, Autor Josué Limeira, Ilustrações de Vladimir Barros, Editora: Carpe Diem. O Pequeno Príncipe em Cordel, Raimundo Clementino Neto, Livraria Nova Aliança, 2016. Cordel do Pequeno Príncipe, Autor: Stélio Torguato Lima, Ilustração: Maércio Siqueira, Editora de Cultura Ltda. ano: 2016. O Pequeno Príncipe em Cordel, Sírlia Souza de Lima, Editora Delicatta, ano: 2017.

A Propósito do livro de Sírlia Souza de lima

Ao começar a ler o livro, me transportei para um recital de poesia, daqueles que a gente fica e sai embebecido.

Como conheço cada página do livro, em várias versões, e em algumas línguas que tenho a graça de me comunicar, as rimas foram dançando no meu olhar, e o som a rodar a minha cabeça.

Sírlia reconta a história, já não é o piloto contanto a sua aventura, é o poeta narrando a poesia do encontro.

Suas estrofes de seis versos, nos levam ao texto original com uma delicadeza quase infantil, fazendo renascer em nós, a criança que um dia fomos.


Obrigado Sírlia!

sábado, 1 de julho de 2017

JESUS E O PEQUENO PRÍNCIPE




O livro-ensaio “Jesus e o Pequeno Príncipe”, de autoria do padre Elias Souza,pároco da Paróquia Santo Antônio, da Avenida do Contorno, e publicado pela Editora Ave Maria,.

O lançamento nacional atraiu um grande número de pessoas na ExpoCatólica – a maior feira de artigos religiosos na América Latina realizada em São Paulo (SP).

Durante o lançamento do livro, em São Paulo, o autor destacou “a belíssima apresentação de dom Walmor, que, em sintonia com os ensinamentos do Papa Francisco, vem ressaltando a força da cultura do encontro na superação da cultura da indiferença”.

Nessa obra, padre Elias nos convida a refletir de forma intensa sobre a vida de Jesus Cristo e a obra-prima de Antoine de Saint-Exupéry, propondo ao leitor, tanto do universo infantil quanto para a criança que vive dentro dos adultos, um exercício poético na fronteira entre a teologia, a literatura e a psicanálise, mostrando que os ensinamentos do Verbo Divino e a história do principezinho podem restaurar em nossos corações a esperança e o amor.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Grandes Colecionadores do Pequeno Príncipe.

Aos poucos vou iniciando pequenos relatos sobre grandes colecionadores do Pequeno Príncipe  no Mundo.


Jean-Marc Probst


É considerado o maior colecionador do Pequeno Príncipe do mundo. 
Probst iniciou sua coleção em 1980. Tudo começou quando ele leu o livro e gostou.
A princípio teve interesse nas versões em alemão, francês e italiano. Certa vez, numa viagem ao Japão, ele se interessou pela versão japonesa e não parou mais de adquirir livros. Jean-Marc teve ajuda de amigos e familiares para arrecadar tantas versões diferenciadas. Muitas delas são raríssimas, como os exemplares originais de 1943, com assinatura do escritor.
Atualmente, possui mais de 5.400 itens relacionados ao Pequeno Príncipe.


Tecnicamente, a coleção não pertence mais a Jean-Marc, pois ele doou seu acervo para a fundação: "Fondation Jean-Marc Probst Pour Le Petit Prince", cujo principal objetivo é assegurar que as obras não se separarem e que possibilite o acesso do público, através da internet, para a maior coleção sobre O Pequeno Príncipe e Antoine Saint-Exupéry

sexta-feira, 28 de abril de 2017

O PEQUENO PRÍNCIPE ARTESANAL


Pense numa coisa legal, pensou? Pois é: na minha coleção do Pequeno Príncipe tenho várias edições de vários países. Algumas edições me encantam por motivos diversos. Quando se tenta preservar uma língua, ou dialeto e preserva a edição tradicional já é o suficiente. Outro encantamento é com as várias releituras, várias ilustrações baseadas nas originais.

Após cair em domínio público, uma enchente de traduções invade as nossas estantes. Algumas interessante, outras nem tanto.

O Nosso Principezinho agora em edição artesanal, feita pela Mariposa Cartonera e Kartocéros Éditions, com capas únicas de papelão reutilizado e ilustrações no miolo de Alicia Cuerva, numa releitura com toque brasileiro do Pequeno Príncipe, de alma cartonera. Apaixonei. Uma das melhores edições do nosso Pequeno Príncipe. Tudo perfeito.

O Mariposa Cartonera é um coletivo artístico-editorial, iniciado em agosto de 2013. A proposta é editar autores contemporâneos a partir dos conceitos norteadores do movimento cartonero: publicar livros de qualidade literária a baixo custo para fazer a literatura circular envolvendo setores fragilizados da sociedade no processo de produção, baseado em princípios da economia solidária, da sustentabilidade e comércio justo.

terça-feira, 21 de março de 2017

O Pequeno Príncipe da Editora Uirapuru

O Pequeno Príncipe é um dos livros mais vendidos em todo o mundo e em todos os tempos. Milhões e milhões de exemplares lidos por gente jovem, de corpo e de espírito, de todos os continentes. 

Ninguém escapa ao sonho de voar, de ultrapassar os limites do espaço onde nasceu, de ver novos lugares e conhecer novos povos. Mas saber ver em cada coisa, em cada pessoa, aquele algo que a define como especial, um objeto singular, um amigo – é fundamental.

Nesta edição publicada pela Editora Uirapuru é resgatada a obra-prima de Saint-Exupéry, o original francês Le Petit Prince publicado nos Estados Unidos, em 6 de abril de 1943. Época em que o aviador escritor se encontrava exilado em Nova York. Autorretrato e obra testamentária, fábula e conto filosófico que exalta a essência dos seres humanos e a necessidade de que respeitem o seu próximo, tenham responsabilidade pela vida visando à conservação da paz mundial.

Setenta anos após seu aparecimento, é a primeira vez que o leitor brasileiro terá em suas mãos o texto original numa tradução definitiva acompanhada das “Cartas de amor do Pequeno Príncipe a uma dama desconhecida”, manuscritos, esboços e desenhos preparatórios inéditos, traçando a excepcional história do nascimento da obra literária do século XX mais difundida no mundo.


Aguardem a o link da pré-venda.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Acabo de ler e gostei

O livro das Miss

Vai aí o link

http://www.socialistamorena.com.br/a-historia-de-um-duplo-preconceito/


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O Pequeno Príncipe em Cordel

O Que me encanta nas edições do Pequeno Príncipe (em várias línguas e dialetos) é o seu papel social, antropológico. Serve para não deixar morrer aquele dialeto, aquela língua. Serve para ensinar, para preservar... (Das cercas de 6000 línguas existentes no mundo, mais de 2500 estão ameaçadas, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).)

Sendo admirador e tendo conhecimento de que o nosso Pequeno Príncipe, foi traduzido para vários idiomas e dialetos, (Latim, Sânscrito, Guarani, Mirandês, Bretão e tantos outros) sempre achei que no Brasil onde não há um dialeto, o melhor seria publicar em Cordel. Cordel é um gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originado em relatos orais e depois impresso em folhetos. Remonta ao século XVI, quando o Renascimento popularizou a impressão de relatos orais, e mantém-se uma forma literária popular no Brasil.

Então há mais ou menos onze anos atrás, encontrei um amigo no finado “Orkut” que fazia Cordel, e lhe passei a ideia. Orkut foi uma rede social filiada ao Google, criada em 24 de janeiro de 2004 e desativada em 30 de setembro de 2014.

Imagina a minha alegria quando em 2015 saiu a publicação do livro.

Agora já são três versões em Cordel.

O Pequeno Príncipe em Cordel
Autor Josué Limeira
Ilustrações de Vladimir Barros
Editora: Carpe Diem

O Pequeno Príncipe em Cordel
Raimundo Clementino Neto
Livraria Nova Aliança, 2016

Cordel do Pequeno Príncipe
Autor: Stélio Torguato Lima
Ilustração: Maércio Siqueira
Editora de Cultura Ltda.
Ano: 2016

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Exposição da Minha coleção do Pequeno Príncipe

Nos dias 29/30 e 1º de fevereiro, no Centro de Formação vicentina da SSVP, tive a oportunidade de apresentar a minha coleção para os jovens que participaram do Encontrão da Juventude do CMBH. Os participantes puderam se deliciar com a obra de Antoine de Saint-Exupéry e participar de uma oficina cujo o tema foi “Laços de Amizade” sob o olhar do Pequeno Príncipe.




























Fotos de Geraldo Guimarães

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Dez verdades eternas que aprendi com “O Pequeno Príncipe”


Por Nara Rúbia Ribeiro

Quando menina, eu não tinha muitos livros. Na verdade, até os seis anos de idade não tinha nenhum. Foi aí que alguém presenteou a nossa família um exemplar de: O Pequeno Príncipe.

Assim se deu a minha estreia no mundo sem precedentes da literatura, e do principezinho… Passava horas olhando as letras e namorando as aquarelas do Saint-Exupéry. Minha mãe leu a história para mim e para o meu irmão por diversas vezes. Até que um dia ela emprestou o livro e nunca mais o vimos.

Então, não foi por acaso que, logo que comecei a trabalhar tratei de comprar outro exemplar. Ainda era adolescente quando sublinhei as frases que mais me marcaram e foram inúmeras as anotações no rodapé e nas laterais.

Eu cresci. Envelheci. Mas como tenho alma de poeta, ouso asseverar que a única sabedoria verdadeira é aquela com as cores da infância. O elevado só pode ser visto no simples, no puro, na singeleza daquele que olha o mundo com olhos desprovidos de blindagens e arestas.

Nesse exercício de regressar infâncias, eis as verdades que aprendi:

1 – “Os baobás, antes de crescer, são pequenos.”
Nunca deixar para amanhã a minha faxina interior.

2 – “É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas.”
Preciso ter paciência com as minhas próprias limitações até as minhas asas ficarem prontas.

3 – “É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar – replicou o rei. A autoridade baseia-se na razão.”
É desumano exigir do outro a entrega de algo que não lhe pertence. Não posso administrar a posse do outro, muito menos poderia administrar as suas lacunas. Assim, que eu cuide, então, das minha carências!

4 – “Tu julgarás a ti mesmo – respondeu-lhe o rei. – É o mais difícil. É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio.”
Pensar na vida alheia, nas qualidades alheias é uma distração medíocre. Mais vale o autoconhecimento do que ter decorado a biografia de centenas de outros.

5 – “As estrelas são todas iluminadas… Será que elas brilham para que cada um possa um dia encontrar a sua?”
O universo colabora, dando-nos a luz de indizíveis estrelas. Resta-nos treinar a própria visão para que as saibamos enxergar.

6 – “Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás, para mim, único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.”
As pessoas se permitem cativar por vontade. Talvez inconscientemente, mas por vontade própria. Quando existe um laço assim, de encantamento construído, nenhum silêncio e nenhuma distância lhe pode vencer.

7 – “A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.”
O homem, na pressa cotidiana, habituou-se à superfície das coisas, dos relacionamentos. Habituou-se à superfície de si. Por isso estamos tão distantes da verdadeira saúde mental. É essa pressa que faz adoecer os homens.

8 – “O essencial é invisível aos olhos.”

Tudo o que vemos é provisório, parcial. Distorcida é a realidade que nos cerca. Aquilo que de fato é ressoa no abstrato, tem vigas invisíveis na alma e não cabe na palma de nenhuma mão.

9 – “Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.”
A importância do outro não reside no outro. Reside em nossa aptidão interior de dispensar a ele o melhor de nós mesmos. É o nosso coração que faz com que o outro se torne tão especial.

10 – “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
Talvez a frase mais famosa do livro. É uma assertiva que dispensa explicação. Toda e qualquer fala seria inútil. Se quiseres compreender, exercita-te. Cativa! E cativa-te primeiro a ti. Só assim dimensionarás a responsabilidade de tudo aquilo que é eterno.


Nara Rúbia Ribeiro


Escritora, advogada e professora universitária.
Administradora da página oficial do escritor moçambicano Mia Couto.
No Facebook: Escritos de Nara Rúbia Ribeiro
Mia Couto oficial

Saint-Exupéry


Por Frei Betto


Livros são estranhas criaturas. Independem de seus autores. Percorrem caminhos imprevisíveis. Quase nunca o best-seller de hoje é o clássico de amanhã. Há quanto tempo sumiram das listas de mais vendidos Meu pé de laranja-lima, de José Mauro de Vasconcelos e Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach?
A 29 de junho fez cem anos que nasceu em Lyon, França, Antoine de Saint-Exupéry, autor do célebre O Pequeno Príncipe (1943). Tornou-se a obra mais citada por quem não se destaca pelo hábito de leitura. Nove, em cada dez misses, o mencionam como livro preferido. O que contribui para condená-lo ao limbo das prateleiras de auto-ajuda, sem que a densidade de seu conteúdo ­ uma metáfora filosófica sobre a amizade e o amor ­ seja captada por muitos leitores.
Saint-Exupéry tornou-se piloto de avião aos 21 anos. O gosto pela aventura fez dele, em 1926, um dos pioneiros do correio aéreo, nas perigosas rotas entre a França, a África e a América do Sul. Na década de 30, empregou-se como piloto de provas. Um acidente obrigou-o a ficar um período em terra. De publicitário da Air France (1934), passou a repórter do jornal Paris-Soir, do qual foi correspondente de guerra na Espanha.
Em 1937, aceitou o risco de voar de Nova York à Terra do Fogo. O avião caiu na Guatemala e ele sobreviveu com algumas seqüelas. Alistou-se no serviço de reconhecimento aéreo dos aliados, durante a Segunda Guerra Mundial. Em 31 de julho de 1944, não retornou da missão que o levou a sobrevoar, num Lightning P38, a região entre os Alpes franceses e o Mediterrâneo. Há indícios de que mergulhou próximo ao porto de Marselha e, agora, os destroços da aeronave estão sendo resgatados pela Marinha francesa.
Após sobreviver a duas guerras mundiais e a dois acidentes aéreos, há quem suspeite que Saint-Exupéry tenha, deliberadamente, empreendido uma viagem sem volta. Dotado de um humanismo que oscilava entre o Evangelho de Jesus e o niilismo de Nietzsche, talvez ele quisesse atingir as estrelas e aterrissar no asteróide onde vive o pequeno príncipe.
Saint-Exupéry considerava que "voar ou escrever é a mesma coisa." Quem escreve sabe o quanto a afirmação procede, considerada a precária tecnologia aeronáutica da primeira metade do século. O autor decola num vôo cego, apenas com uma intuição da rota, sem certeza de quando e como será a aterrissagem.
Os vôos literários do criador de O Pequeno Príncipe têm, entretanto, a arte de unir um estilo preciso com profundas reflexões sobre o sentido da vida. Em Correio do Sul (1929), cuja narrativa revela a influência de Gide, ele enfatiza o senso de fraternidade. Na época, cobrindo a rota Casablanca-Dakar, salvou aviadores em pane e libertou cativos das tribos do deserto.
Vôo Noturno (1931) é uma obra que trata das interrogações e angústias do ser humano inquieto frente ao próprio destino. Em Terra dos Homens (1939), que lhe fez merecer o grande prêmio da Academia Francesa, o estilo poético une-se à densidade filosófica do romance. Em Piloto de Guerra, redigido em Nova York, em 1942, ele protesta contra o absurdo do conflito mundial e enfatiza os direitos humanos.
"Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos" (O Pequeno Príncipe). Nesses tempos em que utopia soa como arcaísmo, competir se sobrepõe à solidariedade e o consumidor é mais valorizado que o cidadão, a obra de Antoine de Saint-Exupéry é um convite ao resgate do humanismo. Deveria ser leitura obrigatória nas escolas.
Frei Betto é escritor, autor de "Batismo de Sangue". A 11ª edição, revista e ampliada, chega às livrarias nesta semana.