O
Pequeno Príncipe no país do futebol
No
começo, talvez pensasse que se trata de um ritual muito sério dos adultos.
Afinal, os adultos gostam de números: quantos gols, quantos pontos, quantos
títulos, quantos minutos faltam para o fim do jogo.
Mas
bastaria observar um pouco mais para perceber que, no Brasil, o futebol é uma
brincadeira que se recusa a envelhecer.
Às
vezes, a bola rebola junto com o corpo do jogador que dribla um, dois ou três
adversários antes do gol. Então acontece o milagre: o estádio sacode, a sala de
casa vira arquibancada, o ônibus inteiro se transforma em torcida. O grito
explode ao mesmo tempo em milhares de gargantas:
— Gol!
O
Pequeno Príncipe talvez sorrisse. Veria meninos jogando na rua com traves
improvisadas por chinelos, pais ensinando filhos a chutar com o lado do pé,
avós encostando o radinho no ouvido para ouvir uma narração que transforma cada
lance em epopeia.
A raposa
lhe havia ensinado que somos responsáveis por aquilo que cativamos. Talvez seja
por isso que tanta gente sofra e comemore por um time de futebol. Não é apenas
a vitória que está em jogo. São as lembranças. O primeiro jogo no estádio. A
camisa herdada do pai. A fotografia amarelada de um antigo craque. A infância
inteira correndo atrás de uma bola.
No fim
da partida, segurando a bola nas mãos e olhando para aquele povo capaz de
transformar um simples jogo numa celebração coletiva, o Pequeno Príncipe diria,
com espanto e alegria:
—
Brasil! Brasil!
E
descobriria que, no país do futebol, o essencial nem sempre é invisível aos
olhos. Às vezes, ele rola pelo gramado, redondo como um pequeno planeta,
convidando os adultos a brincar mais uma vez.
.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário